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Resumo do 1º Capítulo – O Passado distante – A Cama na Varanda

No primeiro capítulo, do livro A Cama na Varanda, a autora faz uma retrospetiva da história desde a Idade da Pedra, onde estão os primeiros registos escritos, até o estabelecimento do patriarcado como estrutura social; sempre enfocando o relacionamento entre homem e mulher, religião e cultura.

A Idade da Pedra subdivide-se em: Paleolítico (de 5.000.000 a 10.000 antes de Cristo) e Neolítico. Os primeiros homo sapiens viviam provavelmente em árvores, devido à presença de animais selvagens, e alimentavam-se de frutos, raízes e da caça. Desconheciam o vínculo entre sexo e procriação; a fertilidade era característica exclusiva da mulher e era ela que detinha o poder da vida e da morte. Devido a esta associação, o feminino ocupava um lugar primordial na religião. Foram encontradas estatuetas e pinturas com formas femininas referentes ao culto à deusa-mãe.

No ano 10.000 antes de Cristo, o gelo começou a recuar para o Norte, modificando o clima e a vegetação. Surgiram no Oriente campos naturais de trigo. Os Homens mudam-se para perto das plantações, surgindo assim as primeiras aldeias. A ideia de casal, não existia, todas as mulheres pertenciam a todos os homens e vice-versa.

Não tendo mais de arriscar a vida como caçador, os valores viris do homem foram enaltecidos, daí a ausência de deuses. A deusa-mãe relacionada à natureza (agricultura) reinou absoluta até o inicio da Idade do Bronze. Os valores da vida predominavam e venciam o fascínio da morte.

O Passado distante - A Cama na Varanda

A organização social era igualitária: homens e mulheres trabalhavam juntos, em parcerias iguais, em prol do bem comum. Foram mais de quinze mil anos de paz, em que homens e mulheres viveram em harmonia consigo mesmo e com a natureza.

A convivência com os animais domesticados, que eram incorporados na agricultura, fez com que o homem percebesse a contribuição do macho para a procriação. A partir daí houve uma rutura na história da humanidade. A relação entre homem e mulher foi transformada, assim como a relação entre arte e religião. O homem descobriu o seu papel imprescindível num terreno onde a sua potência até então tinha sido negada. O homem foi desenvolvendo um comportamento autoritário e arrogante.

Entre 4.400 e 2.900 antes de Cristo começaram a surgir as primeiras invasões de povos que eram compostos de homens, com religiões dominadas por deuses masculinos. A organização social com desenvolvimento estável e de parceria foi esmagada por um sistema onde poder, domínio e força física faziam parte da sua essência.

Com o aumento da riqueza, o homem tornou-se mais importante do que a mulher. A filiação passou a ser masculina e para garantir a paternidade do filho, o qual herdará a sua riqueza, instalou-se um controle da fecundidade da mulher. A mulher passa a ser propriedade do homem e mercadoria preciosa, fornecedora de futura mão-de-obra nas colónias agrícolas.

A liberdade sexual da mulher sofre restrições. Já a do homem não, pois, era ele quem tinha o sêmen e, como os animais, poderiam engravidar várias fêmeas e ter um harém, se desejassem.

Assim como a organização social, a religião também passou por um processo de transição gradual. O culto da fecundidade da Terra-Mãe é definitivamente substituído pelo do herói-guerreiro.

O homem não participa da procriação junto com a mulher, o sêmen é o causador da fecundação. Como nos mitos da criação do mundo, a figura masculina do pai ganha uma importância exacerbada. Além de criar o filho, torna-se também o criador da mulher.

O estabelecimento do patriarcado, organização social baseada no poder do pai, levou cerca de dois mil e quinhentos anos (desde 3.100 até 600 antes de Cristo). E dividiu a humanidade em duas metades: superior/inferior, dominador/dominado, homem/mulher.

A obsessão para proteger a herança e garantir a legitimidade do filho tornou a esposa suspeita e passou a requerer vigilância absoluta. Surgindo assim os confinamentos, cintos de castidade e até extirpação do clitóris para limitar as pulsões eróticas. Punir severamente ou mesmo matar as mulheres adúlteras era considerado simplesmente o exercício de um direito. O antagonismo entre os sexos impede uma amizade e um companheirismo verdadeiro, fazendo a relação entre homem e mulher deteriorar-se.

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O patriarcado é um sistema muito bem-sucedido. A mente humana foi remodelada, a cultura dominada pelo homem, autoritária e violenta, acabou sendo vista como normal e adequada, como característica de todos os sistemas humanos. A lembrança de organizações sociais diferentes foi suprimida. O patriarcado recebeu dois apoios fundamentais: a religião e a ciência.

Aristóteles provou que a mulher era inferior ao homem, dizendo que a semente masculina é ativa, que produzirá um menino saudável, e a semente da mulher só produziria o “desvio do modelo”.

A conceção de bom e mau e o temor do juízo final fizeram com que a vida se direcionasse para a salvação em um mundo extraterreno. Na medida que Deus perde a forma humana e se torna invisível, desenvolve-se a ideia da superioridade da alma sobre o corpo. Assim, o afastamento da sexualidade é elevado ao ideal de perfeição. A restrição à liberdade sexual é instituída.

O cristianismo foi muito severo com as mulheres. Determinou com firmeza que o sexo feminino é inferior ao masculino. Segundo o mito do Jardim do Éden, Eva é a única responsável por todos os males, pois teria sido a sua fraqueza que provocou a expulsão do Paraíso. Para a religião cristã, a mulher representava a porta do Inferno e deveria envergonhar-se da própria ideia de ser mulher.

Em 1.183, são criados os tribunais da Inquisição. A Inquisição considerava o apetite sexual demoníaco. Qualquer moça atraente é suspeita de bruxaria e de ter relações sexuais com Satã.

A Igreja desenvolveu horror ao sexo e o celibato era considerado superioridade. Desta forma, o casamento foi visto como fraqueza humana e o sexo não era considerado parte do mesmo. O sexo só tinha uma única finalidade: a procriação. Foram criadas regras e normas detalhadas para o casamento e o sexo.

“Resumo do 2º Capítulo – Amor – Livro A Cama na Varanda”

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