Resenha do livro Ensaio sobre a lucidez

Resenha do livro Ensaio sobre a lucidez

No livro Ensaio Sobre a Lucidez, José Saramago descreve um país onde, no dia das eleições, uma percentagem muito alta de eleitores resolve votar em branco. Nesse país o voto é facultativo.

O dia das eleições começa com uma forte tempestade e consequentemente com uma quantidade muito pequena de eleitores a visitar as urnas. O que causa bastante preocupação aos organizadores do processo eleitoral e demais autoridades. Mas, o mais surpreendente ainda está por vír. Esse país é o mesmo da história contada no livro Ensaio sobre a cegueira, do mesmo autor. A meio da tarde a tempestade passa e a maioria dos eleitores resolve ir votar, formando imensas filas.

No final da contagem dos votos constata-se que 70% do eleitorado votou em branco e, na capital do país essa percentagem supera os 80%. Essas percentagens indicam que a classe política, nesse país, caiu em total descrença perante o eleitorado, o que para os políticos, autoridades, etc., isso é, na realidade um exemplo de insubordinação e de afronta à democracia e que a política está ameaçada e em crise.

Livro Ensaio sobre a lucidez

As autoridades iniciam um processo atabalhoado de investigação, colocando espiões nas ruas para investigar, com detectores de verdade, entre outras ‘ferramentas’, mas nenhum eleitor declara que votou em branco, seja de forma espontânea ou sob opressão.

Já num momento de desespero das ‘autoridades’, certo dia todos os que votaram em branco – chamados de ‘brancosos’ – decidem ir para as ruas com faixas e cartazes, para declarar publicamente que votaram em branco. O governo sente-se no direito de tomar medidas ‘drásticas’ e declara estado de sítio, isolando a capital do país e transferindo a sede do poder para outra cidade, como forma de pressionar os ‘brancosos’ a arrependerem-se.

Nessa parte da história, do livro Ensaio Sobre a Lucidez, trava-se uma luta entre ‘brancosos’ e autoridades; e o governo decide, com medidas radicais, penalizar os cidadãos, tidos como ‘traidores da democracia’, deixando-os morar numa cidade sem a presença de autoridades, policiais, segurança, enfim, destinada ao caos.

Para piorar as coisas e justificar as suas atitudes extremistas, o governo decide colocar uma bomba no metrô da capital e para encontrar o bode expiatório, infiltra na cidade um grupo de investigadores com esse objetivo.

O livro Ensaio Sobre a Lucidez, de José Saramago, é narrado, na terceira pessoa, e a maior parte da história é contada sob o ponto de vista das autoridades: as decisões, as manipulações de acontecimentos na capital, das notícias através da mídia, de discursos e manobras políticas. Todo esse ‘arsenal’ utilizado para tratar a população como ‘inimiga’ estimula surpreendentes reações nas pessoas, que provocam medidas cada vez mais radicais por parte das autoridades.

A história contada no livro serve como referência para variadas reflexões sobre o exercício da cidadania, da democracia, da liberdade de expressão ou de manifestação; ou, de como todos esses ‘valores supremos’ da convivência social são usados e/ou manipulados, de acordo com tipificadas situações. É uma referência importante para pensarmos o momento histórico que estamos vivendo no Brasil.

O livro Ensaio Sobre a Lucidez, tem 325 páginas, e foi lançado no Brasil pela Editora Cia. das Letras. Pode ser adquirido em livrarias físicas, nos municípios onde existem; e também nas livrarias virtuais.

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