Amor conjugal

Resumo da 1ª Parte do 3º Capítulo – Casamento – A Cama na Varanda – Amor Conjugal, Sexo no Casamento e Crise do Casamento

Dentro do útero o indivíduo desconhece a fome, o frio, a falta de aconchego. Mas nasce. É tomado por um profundo sentimento de falta e desamparo. Sem retorno ao estágio anterior, isso irá acompanhá-lo por toda a vida.

O indivíduo, ao nascer é introduzido num mundo com padrões de comportamento claramente estabelecidos. Iniciando, assim, o processo de socialização. Os desejos espontâneos são gradualmente substituídos pelos que se aprende a desejar e o indivíduo passa a se comportar e agir de acordo com a expectativa social. As singularidades não existem mais. O condicionamento cultural impõe como única forma de atenuar o desamparo uma relação amorosa fixa e estável: o casamento. Tenta-se reaver o paraíso simbiótico que se tinha no útero da mãe. Ilusão que dura pouco, pois não se sustenta na realidade de uma vida quotidiana a dois.

Amor conjugal

Na Idade Média o casamento era considerado algo muito sério para que o amor fizesse parte dele. No século XII, tinha-se tornado para os senhores feudais, um simples meio de enriquecimento. A indissolubilidade foi imposta a partir do século XII pela a Igreja. A partir do século XVIII, o amor no casamento passou a ser uma possibilidade e no século XX tornou-se indispensável e tão valorizado que é difícil imaginá-lo como inovação revolucionária recente.

Na primeira metade do século XX, com a revolução industrial, casar significava formar um lar e situar-se socialmente. Os valores familiares eram centrais nessa sociedade, os indivíduos eram de fato julgados em função do êxito da sua família e do papel que desempenhavam nesse êxito.

Amor conjugal

Na década de 40 algumas mudanças começaram a ocorrer. A valorização do amor conjugal sob todos os seus aspetos, principalmente o sexual, era uma novidade. Para que os filhos sejam bem criados, precisavam não só do amor dos pais, mas também o amor entre os pais. O amor passa a ser o fundamento do casamento.

Da mesma forma que, antes era inadmissível casar por amor, hoje há uma crítica severa a quem se casa sem amor. Suspeita-se logo de interesses escusos e oportunismo.

Há algumas décadas atrás, um casal perfeito era a mulher respeitável e o homem provedor. Hoje os anseios são bem diferentes e as expectativas em relação ao casamento tornaram-se difíceis e até impossíveis de serem satisfeitas. As pessoas escolhem os seus parceiros por amor e esperam que esse amor e o desejo sexual que o acompanha sejam recíprocos e para toda a vida.

Numa relação estável, é comum que as pessoas se afastem dos amigos e abram mão de atividades que anteriormente lhes proporcionavam grande prazer. O ideal do par amoroso é estar sempre junto, completando-se em tudo. Este comportamento pode atenuar por um tempo o temor do desamparo. Mas, para que essa situação seja mantida, são feitas muitas concessões e a consequência inevitável é um acúmulo de frustrações que torna a relação no casamento sufocante.

Na busca de estabilidade e segurança afetiva, qualquer preço é pago para evitar tensões que decorram de uma vida autónoma Mas, quanto mais concessões são feitas, mais hostilidade vai surgindo em relação ao outro.

Muitas vezes, a grande expectativa depositada no casamento supera o limite da capacidade de conceder, fazendo a pessoa não optar pelo fim do casamento. Em outros casos, a dependência emocional ou financeira que se tem do outro pode levar a uma atitude de resignação e acomodação.

Sexo no casamento

A maioria das mulheres, depois de algum tempo de casamento, faz sexo sem nenhuma vontade. A dependência emocional ou económica são limitadoras e podem conduzir a uma vida sexual pobre e medíocre. A atração sexual acaba por vários motivos: rotina, falta de mistério, brigas e inclusive pela obrigação de fidelidade.

Observa-se, no casamento ou em qualquer relação estável, a diminuição do desejo sexual e o aumento da ternura e companheirismo entre os parceiros. Não são raros casais que vivem sem sexo, utilizando formas variadas para manter o casamento. Nestes casos, as relações extraconjugais podem ajudar.

Todas as pessoas são afetadas por estímulos sexuais novos vindo de outras pessoas que não os parceiros fixos. Esses estímulos existem e não podem ser eliminados. A ideologia monogâmico induz ao recalque desses desejos, levando muitas pessoas a afirmar conceitos estereotipados, “quando se ama só se sente desejo pela pessoa amada”. O que está muito longe da realidade. A verdade é que todos os casais se controlam mesmo quando amam.

sexo casamento

O prazer sexual no casamento diminui na razão direta do aumento do desejo por outras pessoas. Muitos evitam a realização dos seus desejos pelo temor de perder a estabilidade na relação ou para evitar que o parceiro faça o mesmo.

O enfraquecimento do desejo sexual deixa de ser passageiro e torna-se permanente, se os parceiros não perceberem a tensão ou o ódio recíproco, e também se rejeitarem como absurdo os desejos sexuais sentidos por outras pessoas. Só é possível encontrar uma saída discutindo-se esses fatos com franqueza e sem preconceitos. É condição essencial reconhecer como natural o interesse sexual por outras pessoas.

Crise do casamento

Há um crescente número de famílias com apenas um progenitor. A diferença básica é que anteriormente o individuo era incorporado à família; a sua vida pessoal confundia-se com a sua vida familiar ou então subordinava-se a ela. Hoje, exceto na maternidade, a família não é senão a reunião dos indivíduos que a compõem nesse momento; cada indivíduo tem a sua própria vida privada e espera que essa seja favorecida por uma família do tipo informal.

A auto-realização das potencialidades individuais passa a ter outra importância, colocando a vida conjugal em novos termos. Acredita-se cada vez menos que a união de duas pessoas deva exigir sacrifícios. Observa-se uma tendência a não se desejar mais pagar qualquer preço apenas para ter alguém ao lado. É necessário que o outro enriqueça a relação, acrescente algo novo e possibilite o crescimento individual.

O casamento torna-se um fardo pesado, porque dificulta a realização do projeto existencial com as suas metas individuais e independentes até das relações pessoais mais íntimas. Surgem conflitos na tentativa de harmonizar a aspiração de individuação com uma vida a dois, mas homens e mulheres estão cada vez menos dispostos a sacrificar os seus projetos pessoais.

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