homossexualidade

Resumo 1ª Parte do 4º Capítulo – Sexo – A Cama na Varanda – Repressão Sexual, Relações Sexuais, Prostituição e Homossexualidade

O sexo sempre teve destaque na história da humanidade. Em cada época e local, teve um significado. Sexo como sinonimo de pecado surgiu com o patriarcado e consequentemente a repressão sexual passou a ser a única saída.

A repressão sexual deslocou o sexo do plano da natureza, algo meramente biológico e natural, para o plano da sociedade, cultura e história. Modificou o seu sentido, a sua função e regulação. As proibições externas são interiorizadas pelas pessoas e são vividas sob a forma de vergonha e culpa.

A repressão sexual acarretou consequências desastrosas. Para Reich as enfermidades psíquicas são consequências do caos sexual da sociedade, já que a saúde mental depende da potência orgástica (entrega e vivencia do clímax de excitação no ato sexual). Assim, o homem alienou-se a si mesmo da vida e cresceu hostil a ela. A sua estrutura de caráter foi encouraçada, contraindo a sua própria natureza interior, e desenvolvendo a base do isolamento, do anseio místico e da miséria sexual.

James W. Prescott comprovou algumas teses de Reich, e afirma que uma personalidade orientada para o prazer raramente exibe condutas violentas ou agressivas e que uma personalidade violenta tem pouca capacidade para tolerar, experimentar ou gozar atividades sensualmente prazerosas.

Para quê tanta repressão sexual?

Uma explicação para a repressão sexual é que quanto mais o individuo vai ampliando a sua vida sexual, mais coragem ganha para fazer outras coisas, questionar outros valores. Começa a viver com mais vontade e decisão. Pode começar a tornar-se perigoso. “Não deve ser à toa nem por acaso que as forças repressoras de todas as épocas se voltaram tão sistematicamente contra a sexualidade humana”.

Transformações ocorridas no século XX, fizeram com que homens e mulheres não acreditassem conscientemente que as relações sexuais fossem pecado, mas no inconsciente os antigos tabus ainda persistem.

repressão sexual

Tanto os valores da Igreja Cristã, como do patriarcado, estão relacionados com a baixa qualidade das relações sexuais na nossa cultura. Na sociedade ocidental o sexo é na maioria das vezes praticado como uma ação mecânica, rotineira, desprovida de emoção, com o único objetivo de atingir o orgasmo o mais rápido possível. Resultando em um desempenho sexual bastante ansioso, podendo levar a um bloqueio emocional e a vários tipos de disfunções.

Hoje com o questionamento de valores passados, começam a despontar novas formas de viver a sexualidade. Cada vez um maior número de pessoas procura o prazer através de relações sexuais mais livres, respeitando o próprio desejo e de modo mais satisfatório para os envolvidos.

Prostituição

Na antiguidade a prostituição era uma instituição sagrada, chegando a ser exercida em templos. A origem desses costumes foi uma tentativa de garantir a fertilidade da terra e das mulheres como um favor dos deuses. Com o cristianismo, os templos foram fechados e a prostituição passou a ser comercializada com fins lucrativos para aqueles que faziam das mulheres as suas escravas. A prostituição estava em toda a parte.

A prostituição passou a ser vista como um mal necessário, porque permitia que os homens aliviassem as suas necessidades sexuais, evitando proximidade com a esposa e filhas respeitáveis, diminuía os estupros e o homossexualismo.

Com a liberação dos anos 60 supunha-se que a prostituição estivesse com os dias contados. Mas, ao contrario do que se esperava, houve um aumento e sofisticação destes locais e as prostitutas passaram de sofredoras e mal cuidadas para jovens, bonitas e bem vestidas.

Independentemente do que façam sexualmente com as suas esposas ou namoradas, os homens continuam a alimentar a prostituição, continuando a ter relações sexuais com prostitutas. Porquê?

As mulheres, atualmente, exigem cada vez mais o seu direito ao prazer sexual. O homem sente-se avaliado, julgado no seu desempenho e na sua competência nessa área. Vai para o ato sexual temendo dececionar ou não corresponder ao que a mulher espera. Qualquer falha pode abalar a sua virilidade, além de se sentir cobrado no seu comportamento antes, durante e depois do sexo. Com as prostitutas os homens sentem-se livres para fazer o que desejam e, o dinheiro livra-os de qualquer cobrança. Mesmo sendo um prazer individual, as regras não deixam dúvidas e ninguém está a ser enganado.

O que são prostitutas???

Muitas mulheres casadas e respeitadas são prostitutas do próprio marido. A única diferença entre as que se vendem para a prostituição e as que se vendem para o casamento é o preço e a duração do contrato!

A homossexualidade

Na Grécia clássica os termos homossexual e heterossexual eram desconhecidos. Para eles todo indivíduo poderia ter preferência por rapazes ou moças, dependendo da idade e das circunstâncias. A homossexualidade era uma prática necessária dos ritos de passagem da juventude cívica. A efebia, relação homossexual grega básica, dava-se entre um homem mais velho e um mais jovem. Com o objetivo de educar, treinar e proteger o jovem. Ambos desenvolviam uma paixão mútua, mas deveriam saber dominar essa paixão.

homossexualidade

Com o cristianismo a homossexualidade foi passível de pena de morte. Qualquer prática sexual que não levasse a procriação era cruelmente punida. Acreditava-se que por causa destas atividades (violação contra a natureza) ocorriam fomes, terremotos e pestes. Em 1869 é criado o termo homossexual e foi incorporada ao campo da medicina. a homossexualidade deixa de ser uma perversidade que é preciso condenar e passa a ser uma doença que se deve compreender e tratar.

Causas da homossexualidade

A homossexualidade é muito comum na natureza. É tão comum em outras espécies, que a homossexualidade humana chega a ser notável, não pela sua prevalência, mas pela sua raridade.

Sabe-se muito pouco sobre as causas da homossexualidade. Pesquisas revelam que as relações com pessoas do mesmo sexo não foram criadas por uma forma particular de organização social, mas seria antes uma forma fundamental de sexualidade, que se exprime em todas as culturas.

São várias as hipóteses da origem da homossexualidade. Para Freud, o ser humano é biologicamente bissexual. A orientação sexual – homo ou hetero – seria determinada na infância. A forma como é vivida a relação amorosa da criança com a mãe, na fase do complexo de Édipo, determina o bloqueamento ou estimulação da orientação sexual.

Outros autores não aceitam a ideia da homossexualidade universal e partem para hipóteses que a homossexualidade é devida a anomalia endócrina, genética ou fatores físicos de algumas pessoas.

Com o surgimento do anticoncecional ocorreu uma dissociação entre o ato sexual e a reprodução, revolucionando os valores e normas relativos à sexualidade. Assim um alto nível de prazer sem a menor possibilidade de reprodução, como a homossexualidade, foi beneficiada socialmente. Os homossexuais puderam então sair da clandestinidade. A prática foi aceite, mas não extinguida de preconceitos.

O homem homossexual é aquele que tem atração por outro homem, não significando que deseje ser mulher. A orientação afetivo-sexual é algo interno da pessoa e não depende de uma escolha pessoal. A escolha é se a pessoa vai esconder ou exteriorizar a sua orientação. Pode acontecer de a pressão social ser tão forte que ele renuncie à realização dos seus desejos e passe toda a vida insatisfeito e em desespero.

Geralmente é na adolescência que a orientação afetivo-sexual começa a ser percebida. É comum o adolescente não compartilhar os mesmos interesses do seu grupo de amigos, sente-se diferente, mas não entende muito bem o que está a acontecer. Com este conflito interno, ele confunde amizade, amor e desejo sexual. Aceitar-se como homossexual é para a maioria um processo difícil, cheio de dúvidas e medos. A pessoa homossexual só se estabilizará psicológica e emocionalmente quando aceitar esses sentimentos e esse modo de vida para si mesmo. Quando tiver claro para si que são formas de amor e vida ainda condenados e abominados pela sociedade. Com isso, ele não mais incorporará para si o que pensa a sociedade a seu respeito.

A maioria dos heterossexuais acredita que os gays são facilmente identificados por características físicas, modo de se vestir e de se comportar. Mas, na verdade a maioria dos homossexuais não pode ser identificada por sinais externos. Observa-se, no século XX, que os homossexuais dividem-se entre uma maioria que se esforça para esconder a sua sexualidade e uma minoria que exibe uma feminilidade caricata. O Movimento Gay contribuiu para livrar muitos homossexuais da culpa, mas não acabou com o estereótipo. Nas grandes cidades, surgiram também gays que substituíram a feminilidade ostensiva por uma expressão da sexualidade teatralmente masculina (barbas, músculos, etc).

O homossexual que realmente se aceita não representa a bicha louca nem o hipermacho. Situa-se fora dos estereótipos sexuais criados pelo patriarcado.

O hipermacho e a bicha louca são vitimas de uma imitação alienada dos estereótipos heterossexuais masculino e feminino. Entretanto, os mais mutilados são os homossexuais que interiorizam a rejeição dos heterossexuais. São os homófobos, os que odeiam os homossexuais e, portanto, odeiam-se a si mesmos.

A autora acha que a provável razão da persistência de hostilidade dos homens heterossexuais seja o temor secreto dos próprios desejos homossexuais. A homofobia serve para o heterossexual deixar claro para os outros que ele não é homossexual.

Nas sociedades patriarcal a homossexualidade feminina sempre foi mais tolerada. Causa mais curiosidade entre os homens do que aversão. Socialmente existe maior liberdade para as mulheres se tocarem, se beijarem, se aconchegarem, manifestando carinho umas pelas outras. Deixando a relação amorosa entre elas menos aparente.

Pesquisas mostram que o relacionamento entre mulheres lésbicas é diferente de dois homens gays. As lésbicas constituem relacionamentos mais estáveis e duradouros e não sentem necessidade de reproduzir o padrão de relacionamento heterossexual, onde um tem poder sobre o outro. Entre elas existe a possibilidade de viver uma relação em que duas pessoas são iguais, fora dos estereótipos patriarcais de género.

Foi observado que as relações sexuais entre lésbicas tendem a ser mais demoradas, envolvendo maior sensibilidade do corpo todo, já que o orgasmo não marca automaticamente o final da sensação sexual. Uma proporção menor de lésbicas do que de mulheres heterossexuais têm casos fora de seus relacionamentos principais e em geral quando se separam ficam amigas de ex-amantes.

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