A resposta sexual - orgasmo

Resumo da 2ª Parte do 4º Capítulo – Sexo – A Cama na Varanda – Virgindade, Orgasmo, Dificuldades Sexuais e Práticas Sexuais

Virgindade

A perda da virgindade é para o rapaz um ganho, simboliza a sua capacidade masculina. Para as meninas, ao contrário, a preocupação com a escolha do momento e das circunstâncias certas retarda a iniciação sexual que para elas ainda está relacionada à narrativa romântica.

As atitudes em relação à virgindade variam bastante em cada cultura. Nas sociedades patriarcais, o controle da sexualidade feminina tinha como propósito a garantia de que o filho daquela união seria produto de ambos os parceiros, além disso, uma virgem era mercadoria valiosa. Mas em todas as culturas a virgindade feminina é mais digna de nota e mais importante que a masculina. Desse modo, o prazer sexual feminino é mais rigorosamente policiado e mais facilmente controlado.

A repressão da sexualidade feminina sempre teve a intenção de bloquear o sexo até o casamento, na medida em que sexo e reprodução estavam intimamente ligados. Hoje observa-se um crescente número de moças que não casam virgens. Mas a virgindade não perdeu tanto a sua importância como se possa pensar. Mesmo as mães que se consideram liberais e viveram as transformações da década de 70, não tendo inclusive casado virgens, passam muitas vezes preconceitos moralizantes quanto ao sexo através de um discurso dúbio.

A Cama na Varanda

Orgasmo

O orgasmo é o prazer físico mais intenso que um ser humano pode experimentar e foi durante longos séculos privado para as mulheres.

Até meados do século XIX, quando o amor não fazia parte do casamento, havia uma regra para a vida do casal. Caso um dos dois cônjuges recusasse o ato sexual, recorria-se ao confessor que censurava e podia negar a absolvição e a comunhão.

Na era vitoriana, há cem anos, a falta de desejo sexual era um importante aspeto da feminilidade. Mais tarde, o orgasmo feminino foi admitido com muita cautela. A mulher que tinha prazer sem amor era tida como ninfomaníaca, ao passo que o homem casado que frequentava os bordéis era considerado normal.

No século XX, estudos sobre a sexualidade humana como os de W. Reich, elevaram a sexologia a um ramo legítimo das ciências humanas.

Masters e Johnson dividiram em quatro fases distintas as reações fisiológicas aos estímulos sexuais

– Fase de excitação: desenvolve-se a partir de qualquer fonte de estímulo físico ou psíquico. Se o estímulo estiver sujeito a objeções físicas ou psicológicas, ou se for interrompido, a fase de excitação pode prolongar-se muito ou interromper-se.

Os estímulos que provocam excitação chegam a certas regiões do cérebro ocasionando diversas reações corpóreas neurológicas, musculares, endócrinas e vasodilatadoras. Assim, os órgãos genitais passam do estado de repouso para o de excitação.

Os homens excitam-se principalmente com estímulos visuais e a mulher com estímulos táteis. Além dessa diferença, a mulher excita-se em geral mais lentamente do que o homem.

orgasmo

– Fase de Platô: nesta fase a excitação sexual é intensificada e atinge o nível máximo. O coração bate mais rápido e a respiração mais intensa. Para a mulher é importante que essa fase se prolongue, permitindo que o sangue irrigue adequadamente toda a cavidade pélvica propiciando um orgasmo satisfatório. No homem, o corpo cavernoso e o corpo esponjoso já estão cheios de sangue, fazendo com que a ereção seja total.

Há uma diferença de tempo entre o período de excitação do homem e da mulher. Ela precisa do triplo de sangue para encher a cavidade pélvica onde está seu genital e garantir uma excitação constante e uma lubrificação adequada. O tempo varia de mulher para mulher, mas geralmente nunca é menor do que quinze ou vinte minutos. A duração desta fase depende da combinação entre a eficiência dos estímulos utilizados e a necessidade pessoal de cada um para chegar à excitação máxima. Se os estímulos forem inadequados ou suprimidos, não haverá orgasmo e da fase de platô passa-se direto – mas vagarosamente – para a fase final de resolução.

O orgasmo é experimentado de forma subjetiva pelas pessoas. É uma fase de muito menor duração que as anteriores, mas de altíssimo nível de prazer. O orgasmo consiste-em contrações rítmicas e involuntárias dos músculos do aparelho genital.

Geralmente o orgasmo masculino ocorre simultaneamente à ejaculação, embora possa existir independente dela. As sensações produzidas são de intenso alívio, como libertar-se bruscamente de uma carga de tensão acumulada durante certo tempo.

A partir do ponto culminante do orgasmo o individuo é envolvido por uma sensação de plenitude e bem-estar. A mulher pode entrar nesta fase após um único orgasmo ou após vários consecutivos. E também pode retornar a uma nova experiência orgástica a qualquer momento, desde que submetida a novos estímulos. No homem, geralmente existe um período refratário que varia de duração. A Sua capacidade fisiológica para responder à nova estimulação após a ejaculação é muito mais vagarosa.

Estudos comprovaram que a capacidade para o orgasmo é uma resposta aprendida, que uma determinada cultura pode ou não ajudar as pessoas a desenvolverem.

Em 1.980, foram apresentados no congresso nacional da Sociedade para o Estudo Científico do Sexo, resultados de estudos onde foi demonstrado que os orgasmos femininos não implicam necessariamente o clitóris e também que o orgasmo clitoriano não é imaturo, como dizia Freud. No mesmo congresso, tomou-se conhecimento pela primeira vez do trabalho de John Perry e Beverly Whipple sobre o ponto G e a ejaculação feminina.

O ponto G localiza-se na parede anterior da vagina, a cerca de cinco centímetros da entrada. O ponto foi encontrado em todas as mulheres por eles examinadas. Quando adequadamente estimulado, o ponto G intumesce e leva muitas mulheres ao orgasmo. No momento do orgasmo, muitas mulheres ejaculam pela uretra um líquido quimicamente semelhante ao sêmen masculino, mas sem conter espermatozoides.

A maioria dos ginecologistas desconhece o ponto G e ignora-o, porque durante um exame ginecológico essa área é apalpada e não estimulada. Em seu estado de repouso, é relativamente difícil de ser localizada. Para descobrir se o ponto G existe em todas as mulheres, foram examinadas quatrocentas que se ofereceram como objeto de estudo. O ponto foi encontrado em todas elas.

Algumas mulheres relatam sensações orgásticas durante o parto. É possível que o ponto G seja estimulado durante a passagem do bebé pelo canal vaginal.

Orgasmos múltiplos sempre foram vistos como um mito e privilégio de algumas mulheres. Mas, toda mulher pode ter essa aptidão, para isso ela deverá conhecer a sua sexualidade, ganhar autonomia livrando-se de tabus e preconceitos. O homem também tem grandes responsabilidades no prazer da mulher. É necessário que ele conheça o corpo feminino e as partes mais sensíveis da sua parceira. Para que a mulher tenha orgasmos múltiplos o movimento do pénis deve ser lento, variando a trajetória de forma a tocar toda a parede do canal vaginal e não ser interrompido o seu movimento, após o primeiro orgasmo da mulher. A mulher, muitas vezes, por não conhecer o seu próprio corpo, após o primeiro orgasmo solicita ao parceiro que pare, que encerre a excitação, alegando estar muito sensível e confundindo com desprazer outro orgasmo que se aproxima.

O homem também pode ser multiorgástico, isto é, ter dois ou mais orgasmos consecutivos sem passar pelo período refratário. Para conseguir continuar a ereção após o primeiro orgasmo é necessário que ele aprenda a ter orgasmos completos sem ejacular. Não havendo ejaculação, não há período refratário e não há perda de ereção. O orgasmo múltiplo masculino é aprendido através do controle do músculo pulbococcígeo. É este músculo que na ejaculação se contrai, levando o sêmen através do pénis para ser expelido. O orgasmo e a ejaculação são controlados por centros superiores cerebrais distintos.

Dificuldades Sexuais

As disfunções sexuais podem ser localizadas nas fases do desejo, da excitação, ou do orgasmo da resposta sexual.

Fase do Desejo

Inibição do desejo sexual

Em alguns casos a falta do desejo faz com que o indivíduo nunca busque qualquer situação sexual. Mas, pode ter relações sexuais e atingir o orgasmo. As causas dessa disfunção podem ser: educação extremamente repressora, que leva na maioria das vezes a mulher a sentir vergonha e culpa em relação ao sexo; pela própria rotina da vida conjugal ou devido a mágoas e ressentimento; e causas orgânicas como doenças hormonais, doenças pélvicas infecciosas, alcoolismo, diabetes, uso de anorexígenos, antidepressivos, e outras drogas. Para um bom encaminhamento as causas devem ser cuidadosamente investigadas.

Excesso de desejo sexual ou hipererosia

A insaciedade sexual nas mulheres denomina-se ninfomania e nos homens satirismo ou satiríase e caracteriza-se pela busca de infindáveis parceiros(as) com o objetivo de obter satisfação sexual, porém raramente conseguido. As causas desse distúrbio são psicológicas, como tensões emocionais, baixa auto-estima, necessidade patológica de se sentir aceite pela figura do sexo oposto, negação do homossexualismo ou necessidade de provar que não é frígida.

Fase de Excitação

Disfunção sexual geral

A mulher sente pouco ou nenhum prazer com a estimulação sexual. Pode até ter orgasmo, mas o contacto físico é desagradável; quer que termine logo. Anteriormente denominava-se frigidez. As mulheres que sofrem dessa disfunção podem ser divididas em dois grupos: disfunção primária, quando a mulher nunca experimentou o prazer sexual com nenhum parceiro, em qualquer situação; disfunção situacional ocorre quando a mulher não sente prazer com o marido, mas com outro homem tem prazer sexual. Se for uma situação primária, independente da situação, é indicada uma terapia sexual. No caso da disfunção situacional o casal deve avaliar a própria relação. Podem ocorrer nessa fase o vaginismo e a dispareunia, problemas relacionados à disfunção sexual geral.

Vaginismo e dispareunia

Os órgãos genitais da mulher com vaginismo são anatomicamente normais, mas a contração involuntária da musculatura da entrada da vagina e os músculos do ânus impedem totalmente a introdução do pénis. Se ao tentar a penetração a mulher sentir fortes dores trata-se de dispareunia. A mulher pode chegar ao orgasmo com a estimulação do clitóris. O fator psíquico está sempre presente nessas disfunções até, quando a afeção tem origem orgânica como, tricomonas, fibroma, quisto de ovário, infecção do aparelho genital.

Disfunção erétil

Disfunção erétil (impotência)

É a incapacidade do homem para realizar a relação sexual de modo satisfatório, apresentando dificuldades em obter ou manter a ereção rígida do pénis. A nossa sociedade associa virilidade com ereção do pénis, além de impor ao homem estar sempre pronto para o sexo e nunca falhar. O problema da impotência é que ela não pode ser escondida, diferente da mulher frígida que pode fingir um orgasmo. A falta do que ele acredita ser a própria essência da sua virilidade faz desmoronar sua auto-imagem, afetando sua vida psíquica. O pavor de novo fracasso pode criar um circulo vicioso. Quanto mais o homem fica ansioso e preocupado com o seu desempenho maior a contração dos vasos sanguíneos e menor o fluxo de sangue para o pénis. Existem duas categorias clínicas, impotência primária, nunca ter tido ereção com uma mulher, embora consegui-la com a masturbação ou espontaneamente em outras situações. Impotência secundaria, ser potente durante algum tempo, até o desenvolvimento da disfunção erétil. As causas da impotência podem ser de origem orgânica: endócrinas, vasculares, neurológicas, urológicas, farmacológicas. Ou de origem psicológicas: medo do fracasso, ansiedade, sentimentos de culpa, preocupações, traumas infantis, etc.

Fase de orgasmo

Falta de orgasmo

A impossibilidade total ou parcial de atingir o orgasmo denomina-se anorgasmia e é mais frequente em mulheres. As causas orgânicas (neurológicas, endocrinológicas ou ginecológicas) são muito raras. A maioria das causas é psicológica.

Paradoxalmente as formas mais severas (nunca ter experimentado o orgasmo) de inibição orgástica são mais facilmente influenciadas pela terapia do sexo do que as benignas. É muito frequente nas mulheres anorgásmicas o medo de perder o controle sobre as sensações e o comportamento. O medo de se entregar, mesmo sem perceber, faz com que a excitação não atinja a fase de platô, excitação necessária para desencadear o orgasmo. Às vezes, o homem tem uma certa parcela de culpa por a sua parceira não chegar ao orgasmo. Por desconhecimento ou ansiedade inicia a penetração quando a mulher não está suficientemente excitada e lubrificada. Estudos relatam que o melhor jeito para a mulher conhecer o seu corpo e aprender a ter prazer é através da masturbação.

Ejaculação precoce

Essa é a mais comum das disfunções sexuais masculina. Nela, o homem é incapaz de exercer controle sobre o seu reflexo ejaculatório. Por alguma razão o homem que tem esta disfunção nunca aprendeu a focalizar sua atenção nas sensações que anunciam o orgasmo e por isso não adquiriu o controle voluntário adequado. No tratamento da ejaculação precoce há exercícios que devem ser feitos com a colaboração da parceira, como o da técnica de compressão e outros que o homem faz sozinho durante a masturbação. No método ‘pare-reinicie’, o homem estimula-se até sentir que se aproxima o ponto de inevitabilidade ejaculatória. Pára, então, o estímulo e permite que a excitação prossiga. Isso é repetido duas ou três vezes até, por fim, ejacular.

Ejaculação retardada

É a inibição específica do reflexo ejaculatório. O homem responde aos estímulos sexuais com sensações eróticas e ereção firme. Embora queira o alívio orgástico, é incapaz de ejacular. O grau de gravidade varia de uma inibição ocasional, até ao ponto, de uma inibição de tal ordem, que o homem nunca experimentou um orgasmo. Entretanto, com frequência ejaculam sem dificuldade com a estimulação manual ou oral pela parceira, só atingem o orgasmo se retirarem o pénis do canal vaginal e se masturbarem.

Práticas sexuais

A autora aborda comportamentos sexuais assumidos por homens e mulheres, mas que, por não levarem à procriação, já foram objeto de severas punições e até hoje são vistos com preconceitos e tabus. As mais comuns são a masturbação, o sexo oral e o sexo anal.

Masturbação

A masturbação foi condenada por milénios e puída com a morte. Durante muito tempo se acreditava que a masturbação causava ataques epiléticos, loucura, reumatismo, impotência, acne, asma, etc. No século XVIII, era colocado nos meninos um perverso anel de metal com quatro pregos voltados para dentro, para evitar a ereção. Nas meninas eram colocados cintos constritivos ou eram feitas clitoridectomias. Até hoje alguns adolescentes não tem a certeza que não sofrerão nenhum tipo de prejuízo com a masturbação, já que a ideia do pecado ainda está presente, provocando culpa e medo.

Com a influência das teorias de Freud sobre a sexualidade infantil, começou a considerar-se normal a masturbação na infância e na adolescência. Hoje a masturbação na infância e na adolescência é vista pelos sexólogos como uma prática fundamental para a satisfação sexual na vida adulta, por permitir um auto-conhecimento do corpo, do prazer e das emoções.

Sexo oral

O sexo oral é a atividade heterossexual mais praticada antes da cópula. Mas, muitas pessoas evitam essa prática sexual, ou a utilizam, sentindo-se constrangidas, apenas para agradar o parceiro. Além dos preconceitos morais, existe também a ideia de que o sexo oral-genital não seria uma atividade higiénica.

Só é possível um casal desenvolver uma sexualidade realmente satisfatória se houver uma comunicação franca. O sexo é um aprendizado e alguns comportamentos, como o sexo oral, exigem além de descontração, um grau de orientação e informação entre os parceiros para que os dois possam estimular e serem estimulados de forma prazerosa.

Sexo anal

Apesar de toda a condenação das atividades sexuais que não levam a fecundação, o sexo anal sempre foi praticado.
Independente da penetração, a estimulação anal é muito excitante para homens e mulheres. O fato de um homem sentir prazer em ser estimulado no ânus ou de desejar fazer sexo anal com uma mulher frequentemente não significa tendências homossexuais. O que define o homossexualismo é o desejo sexual por alguém do mesmo sexo e não a área do corpo que proporciona prazer.

O sexo anal, assim como tantas outras práticas sexuais, só se justifica se for prazeroso para ambos os parceiros e não por obrigação ou para agradar o outro.

“Resumo do 5º Capítulo – Conclusão da Autora – Livro A Cama na Varanda”

“Resumo da Primeira Parte do 4º Capítulo – Sexo – Livro A Cama na Varanda”

“Voltar ao índice do Livro A Cama na Varanda da Autora Regina Navarro Lins”

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